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Resultado alterado no preventivo: o que vem depois

Resultado alterado no preventivo não é câncer. Na imensa maioria das vezes, o que se encontra são alterações nas células do colo do útero que podem regredir sozinhas ou ser tratadas antes de evoluir. O preventivo é um exame de rastreio: ele aponta o que precisa ser olhado melhor, e o passo seguinte costuma ser a colposcopia.

Dr. Héctor Burbano, ginecologista e obstetra na Barra da Tijuca

Escrito e revisado por Dr. Héctor Burbano

CRM-RJ 1147846 · RQE nº 51467 em Ginecologia e Obstetrícia

Publicado em 15/09/2026 · Revisado em 15/09/2026 · 9 min de leitura

Resultado alterado no preventivo significa câncer?

Não. Essa é a primeira coisa a saber, e ela precisa vir antes de qualquer sigla. A grande maioria das alterações encontradas no preventivo corresponde a mudanças nas células do colo do útero que estão longe de ser câncer, e boa parte delas regride sozinha.

O que o preventivo faz é rastrear. Ele olha células colhidas do colo e sinaliza quando alguma coisa foge do padrão, para que aquilo seja investigado melhor. Ele não fecha diagnóstico nenhum sozinho, nem quando vem alterado, nem quando vem normal.

Vale dizer também por que esse exame existe e por que ele funciona tão bem: o câncer de colo do útero leva anos para se desenvolver, e passa antes por etapas identificáveis. É exatamente por isso que o rastreio salva vidas, e é por isso que um resultado alterado, encontrado a tempo, é uma boa notícia disfarçada de susto.

O que significam NIC 1, NIC 2 e NIC 3?

NIC significa neoplasia intraepitelial cervical, e o número indica o quanto da espessura do tecido apresenta alteração. Não é o tamanho da lesão nem o grau de gravidade de um câncer: é o quanto daquela camada está alterado.

Você também pode ver no laudo siglas da citologia, que é a leitura das células, diferente da histologia, que é a leitura de um fragmento de tecido. A tabela abaixo junta as duas nomenclaturas, porque elas aparecem misturadas na prática e é isso que confunde.

SiglaO que quer dizerLeitura habitual
ASC-USCélulas escamosas atípicas de significado indeterminadoAchado leve e muito comum. Costuma levar a repetição ou a teste de HPV
LSILLesão intraepitelial de baixo grauCorresponde em geral ao NIC 1. Alta chance de regressão espontânea
HSILLesão intraepitelial de alto grauCorresponde a NIC 2 ou NIC 3. Indica investigação e costuma exigir tratamento
NIC 1Alteração no terço inferior do epitélioFrequentemente regride sozinha. Costuma ser acompanhada
NIC 2Alteração em até dois terços do epitélioAlto grau. Conduta individualizada, com tratamento em boa parte dos casos
NIC 3Alteração em quase toda a espessura do epitélioAlto grau. Costuma indicar tratamento

Glossário para leitura do próprio laudo. Nenhuma dessas siglas é diagnóstico de câncer, e nenhuma define sozinha a conduta: isso é feito pelo médico que acompanha você, considerando idade, histórico, desejo de gestação e o conjunto dos exames.

Qual é o próximo exame depois de um preventivo alterado?

Na maior parte das vezes, a colposcopia. É um exame de consultório em que o colo do útero é observado com um aparelho de aumento, depois da aplicação de soluções que destacam áreas alteradas. Ele mostra onde está a alteração que o preventivo apenas sinalizou.

Se durante a colposcopia for identificada uma área suspeita, pode ser feita uma biópsia dirigida, que é a retirada de um fragmento pequeno para análise. É ela que dá a resposta histológica, aquela que traz NIC 1, NIC 2 ou NIC 3.

Nem todo resultado alterado leva direto à colposcopia. Alterações leves em mulheres jovens costumam ser conduzidas com repetição do exame em alguns meses ou com teste de HPV, porque a chance de regressão espontânea é alta e investigar demais também tem custo.

A avaliação do colo do útero na mulher não gestante é diferente da medida do colo na gestação, que responde outra pergunta e usa outro exame. As duas coisas aparecem juntas em busca e não têm relação entre si.

Qual é a relação disso com o HPV?

Quase todas as lesões precursoras do colo do útero estão associadas à infecção persistente por tipos de alto risco do papilomavírus humano. Persistente é a palavra que muda tudo: a infecção por HPV é muito comum e, na maior parte das vezes, o próprio organismo a elimina em um a dois anos, sem deixar nada.

O problema aparece quando a infecção não é eliminada e permanece por anos. É essa persistência que pode levar às alterações celulares que o preventivo detecta.

Duas consequências práticas seguem daí. A primeira é que ter HPV não significa ter lesão, e ter lesão não significa ter câncer. A segunda é que a vacinação contra o HPV, disponível na rede pública para as faixas indicadas, atua antes de tudo isso, prevenindo a infecção pelos tipos mais associados ao câncer de colo.

Vale uma nota sobre culpa, porque ela aparece sempre: HPV é uma infecção extremamente comum, transmitida por contato, e receber esse resultado não diz nada sobre a conduta de ninguém.

Quando é indicada a conização?

A conização entra principalmente nas lesões de alto grau confirmadas, ou seja, NIC 2 e NIC 3. Ela consiste na retirada de uma porção em forma de cone do colo do útero, que remove a área alterada e, ao mesmo tempo, envia todo aquele tecido para análise.

Esse duplo papel costuma passar despercebido e é o que torna o procedimento tão útil: ele trata e confirma na mesma ação. O resultado da análise do cone é o que diz se a lesão foi retirada por completo.

Em mulheres jovens com NIC 2, principalmente quando há desejo de gestação futura, o acompanhamento sem procedimento imediato pode ser uma opção, porque uma parte dessas lesões regride. Essa decisão é individual, pesa histórico e planos de vida, e é tomada em consulta.

Sobre como o procedimento é feito, a recuperação e o que o resultado do cone responde, a página de conização explica em detalhe. Outras condutas cirúrgicas do colo e do útero estão reunidas em cirurgia ginecológica.

Conização atrapalha uma gravidez futura?

A conização pode ter efeito sobre gestações futuras, e isso é conhecido e considerado antes da indicação. A retirada de parte do colo pode se associar a um risco aumentado de encurtamento do colo e de parto prematuro, e esse risco varia conforme a quantidade de tecido retirada.

O que isso muda na prática é o acompanhamento, não a possibilidade de engravidar. Quem fez conização costuma ter a medida do colo acompanhada mais de perto durante a gestação, começando mais cedo, justamente para ter tempo de conduta se algo mudar.

É por isso que o desejo de gestação entra na conversa antes do procedimento. Ele não é um detalhe a ser mencionado depois: ele pesa na escolha entre tratar agora e acompanhar, e na técnica escolhida quando o tratamento é indicado.

Se você está com um laudo alterado na mão agora, o passo prático é um só: levar esse papel para uma consulta ginecológica e sair de lá com o próximo exame marcado.

Em resumo

  • Resultado alterado no preventivo não é câncer, e a maior parte das alterações não evolui para isso.
  • NIC indica o quanto da espessura do tecido está alterado: NIC 1 é baixo grau, NIC 2 e NIC 3 são alto grau.
  • O passo seguinte costuma ser a colposcopia, com biópsia dirigida quando há área suspeita.
  • Quase todas essas lesões se associam à infecção persistente por HPV, que é comum e na maioria das vezes eliminada pelo organismo.
  • A conização trata e confirma ao mesmo tempo, e o desejo de gestação futura entra na conversa antes da indicação.

Perguntas frequentes

NIC 1 precisa de tratamento?

Na maioria das vezes não. O NIC 1 tem alta chance de regredir espontaneamente, e a conduta habitual é o acompanhamento com repetição dos exames. A decisão considera idade, persistência da lesão e o conjunto do caso.

NIC 2 é câncer?

Não. NIC 2 é uma lesão precursora de alto grau, o que significa que ela pode evoluir se não for tratada, e não que ela seja câncer. Uma parte dos casos, sobretudo em mulheres jovens, regride sem tratamento.

De quanto em quanto tempo devo fazer o preventivo?

No Brasil, a recomendação do Ministério da Saúde é iniciar aos 25 anos em mulheres que já tiveram atividade sexual, com dois exames anuais consecutivos e, se ambos normais, repetição a cada três anos até os 64 anos. Quem tem histórico de alterações segue um intervalo próprio, definido pelo médico.

Já tomei a vacina de HPV, ainda preciso fazer preventivo?

Sim. A vacina protege contra os tipos de HPV mais associados ao câncer de colo, mas não contra todos. O rastreio continua indicado para quem foi vacinada.

Posso fazer o preventivo menstruada?

O ideal é evitar, porque o sangue pode prejudicar a leitura da amostra. Em geral também se orienta não usar duchas, cremes vaginais ou ter relação sexual nas horas que antecedem a coleta. Confirme a orientação com o serviço onde o exame será feito.

Fontes

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. A conduta de cada caso é individual e definida com o seu médico.

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