Não consigo engravidar: quais exames pedir primeiro
A investigação costuma começar depois de 12 meses de tentativa sem sucesso, ou de 6 meses a partir dos 35 anos. Os primeiros exames avaliam três frentes ao mesmo tempo: se há ovulação, se as trompas e o útero estão livres, e o espermograma do parceiro. Investigar as três juntas evita meses perdidos.

Escrito e revisado por Dr. Héctor Burbano
CRM-RJ 1147846 · RQE nº 51467 em Ginecologia e Obstetrícia
Publicado em 15/09/2026 · Revisado em 15/09/2026 · 10 min de leitura
A partir de quando devo procurar ajuda?
A referência mais usada é de 12 meses de tentativa com relações regulares e sem método contraceptivo. A partir dos 35 anos, esse prazo cai para 6 meses, porque o tempo passa a pesar mais na conta.
Existem situações em que não faz sentido esperar prazo nenhum. Ciclos muito irregulares ou ausentes, endometriose já diagnosticada, cirurgia pélvica prévia, histórico de infecção pélvica, duas ou mais perdas gestacionais ou tratamento oncológico anterior são motivos para procurar avaliação já.
E vale dizer uma coisa que raramente é dita nesse assunto: procurar antes do prazo também é legítimo. Se a angústia já está ocupando espaço na sua vida, você não precisa de autorização de um calendário para conversar com um médico.
Quais exames vêm primeiro?
A investigação inicial responde três perguntas simultaneamente, e é essa simultaneidade que faz diferença. Investigar uma frente por vez é o erro mais comum e o que mais custa tempo: são três ou quatro meses gastos para descobrir algo que apareceria de uma vez.
| Pergunta | Exames que costumam responder |
|---|---|
| Existe ovulação? | Avaliação do ciclo, dosagens hormonais e ultrassom. Ciclo regular é um bom indício, mas não prova por si só |
| Como está a reserva ovariana? | Contagem de folículos antrais e hormônio antimülleriano |
| O útero e a cavidade estão livres? | Ultrassom transvaginal, e em alguns casos histerossonografia ou histeroscopia |
| As trompas estão permeáveis? | Histerossalpingografia ou avaliação tubária por ultrassom com contraste próprio |
| E o parceiro? | Espermograma, que é o exame mais simples, mais rápido e mais barato de toda a investigação |
| Há endometriose? | Mapeamento de endometriose, quando o quadro sugere |
Roteiro habitual de investigação inicial, apresentado para você entender o caminho. Quais exames entram no seu caso é decisão do médico que acompanha você, e depende da sua história.
Por que o parceiro precisa ser avaliado desde o começo?
Porque o fator masculino responde por cerca de metade dos casos, isolado ou combinado, e porque o espermograma é o exame mais simples de toda a investigação. Ele não exige procedimento, não exige preparo complexo e o resultado sai rápido.
Na prática, ele é o exame que mais demora a ser pedido. É comum a mulher passar por meses de investigação, exames de sangue, ultrassons e procedimentos, antes de alguém sugerir que o parceiro faça um espermograma.
Isso não é detalhe de protocolo. É meio ano da vida de um casal, e é evitável. Pedir o espermograma junto com os primeiros exames dela não custa quase nada e pode mudar toda a investigação.
Se o espermograma vier alterado, o caminho seguinte é a avaliação com urologista ou andrologista, que é quem investiga a causa.
Ciclo regular significa que estou ovulando?
Ciclo regular é um bom indício, mas não é prova. Existem ciclos que acontecem com aparência normal sem que tenha havido ovulação naquele mês, e existe também o contrário: ciclos irregulares em que a ovulação ocorre, só que em datas imprevisíveis.
O que torna a pergunta mais confusa são os métodos caseiros. Aplicativo de calendário estima uma data a partir de uma média, não observa nada do seu corpo. Teste de ovulação de farmácia detecta um pico hormonal, o que sugere que a ovulação está próxima, mas não confirma que ela aconteceu.
A avaliação médica combina história menstrual, dosagens hormonais e, quando indicado, o acompanhamento do crescimento folicular por ultrassonografias seriadas, que é o que permite ver a ovulação acontecendo.
Mioma, cisto e endometriose sempre atrapalham?
Nem sempre, e é aí que mora a angústia de quem recebe um desses achados em um ultrassom de rotina. Muitos miomas e muitos cistos não têm relação nenhuma com dificuldade para engravidar.
O que pesa não é a existência do achado, é a localização e o tamanho. Um mioma que deforma a cavidade do útero é diferente de um mioma pequeno na parede externa. Um cisto funcional que aparece e some sozinho é diferente de um endometrioma. A página sobre miomas e cistos detalha essa diferença.
A endometriose merece um parágrafo próprio, porque ela é frequentemente descoberta tarde. Cólica que piora com os anos, dor durante a relação sexual, dor para evacuar no período menstrual e dificuldade para engravidar são sinais que juntos justificam investigação dirigida, e não mais um ultrassom comum.
Nada disso se conclui por conta própria a partir de um laudo. Achado de imagem só faz sentido dentro da história de quem fez o exame.
Quanto tempo leva uma investigação completa?
Quando bem organizada, a maior parte da investigação inicial cabe em um a dois ciclos menstruais. O motivo de demorar mais é quase sempre de agenda, não de medicina: alguns exames só podem ser feitos em dias específicos do ciclo.
A contagem de folículos antrais pede o início do ciclo. A avaliação das trompas costuma ser feita depois da menstruação e antes da ovulação. O espermograma pede alguns dias de abstinência. Encaixar tudo isso pede planejamento, e é exatamente por isso que a primeira consulta rende tanto.
Uma consulta bem conduzida sai com o mapa inteiro: quais exames, em que dia de qual ciclo, e o dele junto. Sobre como essa primeira avaliação acontece no consultório, a página de consulta ginecológica explica o formato do atendimento.
Um lembrete que vale mais que qualquer exame desta lista: dificuldade para engravidar não é culpa de ninguém, e não é consequência de ansiedade, de trabalho ou de alguma coisa que você deixou de fazer. A frase relaxa que acontece já causou mais dano do que ajudou.
Em resumo
- O prazo de referência é 12 meses de tentativa, ou 6 meses a partir dos 35 anos.
- A investigação inicial responde três frentes em paralelo: ovulação, útero e trompas, e espermograma do parceiro.
- O espermograma é o exame mais simples de todos e o que mais demora a ser pedido. Ele entra no começo.
- Ciclo regular é indício de ovulação, mas não é prova. Aplicativo de calendário não observa nada do seu corpo.
- Mioma e cisto nem sempre atrapalham: o que pesa é a localização e o tamanho, não a existência do achado.
Perguntas frequentes
Quanto tempo é normal demorar para engravidar?
A maior parte dos casais que tentam engravidar consegue dentro de um ano. Por isso o prazo de 12 meses é usado como referência para iniciar investigação, reduzido para 6 meses a partir dos 35 anos.
Qual é o primeiro exame que devo fazer?
Não existe um único primeiro exame: a investigação inicial avalia ovulação, útero e trompas, e o espermograma do parceiro, tudo em paralelo. Quais exames entram no seu caso depende da sua história e é definido em consulta.
Ansiedade e estresse impedem a gravidez?
Não existe evidência de que ansiedade cause infertilidade, e atribuir a dificuldade ao estado emocional costuma gerar culpa sem ajudar em nada. Isso não significa que o sofrimento seja irrelevante: apoio psicológico durante a investigação é útil e muitas vezes necessário.
Preciso fazer todos esses exames de uma vez?
Não necessariamente, e alguns dependem de dias específicos do ciclo. O que faz diferença é investigar as frentes em paralelo em vez de uma por vez, porque a investigação sequencial costuma custar meses sem necessidade.
Dificuldade para engravidar é sempre da mulher?
Não. O fator masculino está presente em cerca de metade dos casos, isolado ou combinado com fatores femininos. Há ainda os casos em que a investigação completa não encontra causa identificável.
Fontes
- Organização Mundial da Saúde: Infertilidade
- FEBRASGO: Investigação do casal infértil
- Ministério da Saúde: Saúde sexual e reprodutiva
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. A conduta de cada caso é individual e definida com o seu médico.