Calendário de exames da gravidez, semana a semana
A gestação de baixo risco costuma ter entre seis e oito exames de avaliação da vitalidade fetal e três blocos de exames de sangue. O primeiro ultrassom vai de 6 a 8 semanas, a translucência nucal entre 11 e 13 semanas e 6 dias, o morfológico entre 20 e 24 semanas, e o acompanhamento do fim começa por volta de 34 semanas. As datas variam conforme cada caso.

Escrito e revisado por Dr. Héctor Burbano
CRM-RJ 1147846 · RQE nº 58450 em Medicina Fetal · Certificado pela Fetal Medicine Foundation, Londres
Publicado em 15/09/2026 · Revisado em 15/09/2026 · 11 min de leitura
Quantos exames tem uma gestação normal?
Uma gestação de baixo risco costuma somar de seis a oito exames de avaliação da vitalidade fetal e três blocos de exames laboratoriais, um por trimestre. Esse é o desenho mais comum, não uma regra fixa: a quantidade muda conforme o histórico, a idade, o resultado dos primeiros exames e o que aparece no caminho.
O que assusta muita gestante é ouvir de uma amiga que ela fez doze ultrassons e de outra que fez quatro. As duas podem estar certas. O que define o número não é o protocolo, é o que cada gestação precisa responder.
Este calendário serve como mapa para você saber onde está e o que vem. Ele não substitui a orientação do seu médico, e a ordem real dos pedidos é sempre a que estiver na sua carteirinha de pré-natal.
Quais exames se faz em cada fase da gestação?
A tabela abaixo reúne os exames de imagem por janela de semanas. As janelas importam mais do que parecem: alguns exames só respondem bem dentro de um intervalo específico, e fora dele a informação se perde.
| Semanas | Exame | O que ele responde |
|---|---|---|
| 6 a 8 | Ultrassom de viabilidade embrionária | Se a gestação está dentro do útero, se tem batimento e quantos embriões são |
| 11 a 13 semanas e 6 dias | Morfológico de 1º trimestre com translucência nucal | Anatomia inicial, marcadores de risco cromossômico e rastreio de pré-eclâmpsia |
| A partir de 8 (sangue) ou 14 (imagem) | Sexagem fetal | Sexo do bebê |
| 16 a 24 | Medida do colo uterino | Risco de parto prematuro, geralmente junto com o morfológico |
| 20 a 24 | Morfológico de 2º trimestre | A avaliação anatômica mais completa da gestação inteira |
| 24 a 28 | Ecocardiograma fetal | O coração do bebê em detalhe, câmara por câmara |
| 26 a 34 | Doppler obstétrico | Como está o fluxo de sangue entre placenta, cordão e bebê |
| 28 em diante | Perfil biofísico fetal | Movimento, tônus, respiração e líquido, como sinais de bem-estar |
| 32 a 38 | Ultrassom de 3º trimestre | Crescimento, posição, placenta e líquido perto do parto |
| 34 em diante | Cardiotocografia | Batimento do bebê ao longo do tempo e resposta às contrações |
As janelas são as usadas com mais frequência na prática obstétrica brasileira. Cada gestação tem a sua, definida em consulta.
Por que a translucência nucal tem que ser entre 11 e 13 semanas?
Porque a medida só existe nessa janela. A translucência nucal é uma coleção de líquido na nuca do bebê que aparece no fim do primeiro trimestre e desaparece depois. Antes de 11 semanas o bebê ainda é pequeno demais para a medida ser confiável, e a partir de 14 aquele espaço se reabsorve naturalmente.
Essa é a janela mais rígida da gestação inteira e a que mais gera arrependimento quando passa. Perder o morfológico de segundo trimestre por duas semanas ainda dá para contornar. Perder a translucência nucal significa perder a informação, e o que sobra são caminhos mais invasivos para responder a mesma pergunta.
Se você está entre 10 e 12 semanas lendo isto, é esse o exame a agendar agora.
E os exames de sangue, quando são feitos?
Os exames laboratoriais costumam vir em três blocos, um por trimestre, e servem a perguntas diferentes em cada fase.
- No primeiro trimestre entra o bloco mais extenso: tipagem sanguínea e fator Rh, hemograma, glicemia, sorologias para sífilis, HIV, hepatites B e C, toxoplasmose e rubéola, urina e urocultura
- No segundo trimestre, entre 24 e 28 semanas, vem o teste de tolerância à glicose, que rastreia diabetes gestacional, mais a repetição de algumas sorologias
- No terceiro trimestre repetem-se hemograma, sorologias e urocultura, e entra a pesquisa de estreptococo do grupo B, entre 35 e 37 semanas, colhida com swab
- Quem tem Rh negativo faz o Coombs indireto de forma seriada, e a conduta com a imunoglobulina anti-D é definida caso a caso
A lista exata varia conforme o serviço e o histórico de cada gestante. Se algum resultado vier alterado, o que muda não é só o exame seguinte, é a frequência das consultas.
Quantas consultas de pré-natal são recomendadas?
O Ministério da Saúde recomenda no mínimo seis consultas de pré-natal, e a prática mais comum é bem mais frequente do que isso. O intervalo costuma ser mensal até 28 semanas, quinzenal de 28 a 36, e semanal a partir de 36 até o parto.
Esse ritmo não é burocracia. Ele existe porque a maior parte das complicações do fim da gestação, como pré-eclâmpsia e restrição de crescimento, aparece em sinais que só um acompanhamento próximo pega a tempo: pressão que subiu, barriga que parou de crescer, bebê que se mexe menos.
Quando existe alguma condição associada, como hipertensão, diabetes, gestação gemelar ou histórico de prematuridade, o acompanhamento passa a ser de pré-natal de alto risco e o intervalo encurta.
O que muda no calendário se a gestação for de risco?
Muda a frequência, não a lista. Os mesmos exames continuam existindo, só que repetidos em intervalos menores e com dois deles ganhando protagonismo: o doppler e o perfil biofísico.
Numa gestação de baixo risco o doppler costuma ser feito uma ou duas vezes. Numa gestação com restrição de crescimento ou hipertensão, ele pode ser quinzenal ou até semanal, porque é ele que mostra se a placenta ainda está dando conta.
A cardiotocografia segue a mesma lógica. Em gestação sem intercorrência ela aparece perto do termo. Em gestação de risco ela entra mais cedo e se repete, às vezes duas vezes por semana.
Vale dizer o óbvio, porque ninguém diz: mais exames não significa que algo está errado. Significa que alguém está olhando de perto.
Posso fazer todos os exames no mesmo lugar?
Dá, e isso muda a experiência mais do que parece. Quando o mesmo médico faz o pré-natal e os ultrassons, a informação não se fragmenta: a medida do colo de 22 semanas é comparada com a de 20 pela mesma pessoa, com o mesmo aparelho e o mesmo critério.
O contrário é o que a maioria vive. A gestante faz consulta num lugar, ultrassom em outro, leva um laudo que não entende para alguém que não fez o exame, e a conversa vira a leitura de um papel.
No consultório na Barra da Tijuca, a consulta de pré-natal e os exames de imagem acontecem no mesmo lugar e com o mesmo médico, do começo ao fim da gestação.
Em resumo
- Uma gestação de baixo risco costuma ter de seis a oito ultrassons e três blocos de exames de sangue, um por trimestre.
- A translucência nucal tem a janela mais rígida da gestação: de 11 semanas a 13 semanas e 6 dias, e depois disso a medida deixa de existir.
- O morfológico de segundo trimestre, entre 20 e 24 semanas, é a avaliação anatômica mais completa de todas.
- Gestação de risco não muda a lista de exames, muda a frequência: doppler e cardiotocografia passam a ser repetidos.
- Mais exames não significa problema. Significa acompanhamento mais próximo.
Perguntas frequentes
Quantos ultrassons posso fazer na gravidez?
Não existe um número máximo estabelecido. A ultrassonografia não usa radiação e é considerada segura na gestação quando feita com indicação médica. O que orienta a quantidade é a necessidade clínica de cada caso, não um limite de exames.
Qual é o exame mais importante da gestação?
O morfológico de segundo trimestre, feito entre 20 e 24 semanas, é a avaliação anatômica mais completa de toda a gestação. Mas a translucência nucal tem a janela mais curta e mais difícil de recuperar, o que a torna a mais urgente de agendar quando você está no fim do primeiro trimestre.
Preciso de pedido médico para fazer ultrassom obstétrico?
Sim. Ultrassonografia obstétrica é exame médico e exige indicação e solicitação de um médico, que também é quem interpreta o resultado dentro do contexto da sua gestação.
Posso fazer o morfológico depois de 24 semanas?
É possível fazer, mas a avaliação fica prejudicada. Depois de 24 semanas o bebê ocupa mais espaço, os ossos estão mais calcificados e algumas estruturas ficam difíceis de visualizar. A janela de 20 a 24 semanas existe porque é nela que a anatomia se vê melhor.
Exame de sangue substitui a ultrassonografia na gestação?
Não. São informações diferentes e complementares. O sangue avalia sorologias, glicemia, anemia e marcadores. A ultrassonografia avalia anatomia, crescimento, placenta, líquido e fluxo. Nenhum dos dois responde o que o outro responde.
Fontes
- Ministério da Saúde: Caderneta da Gestante
- FEBRASGO: Protocolos de assistência pré-natal
- Ministério da Saúde: Manual de gestação de alto risco
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. A conduta de cada caso é individual e definida com o seu médico.